As coisas fantásticas acontecem quando viajamos. Pois bem estas viagens de autocarro são uma viagem ao âmago do que aqui ando a fazer penso eu.
Sem mais demoras, vou falar de coisas fantásticas que me apercebi e vivi durante algumas viagens.
A saber, uma coisa tão simples como uma bola de ténis a descer desde o cruzamento da avenida Duarte Pacheco com a rua Castilho até à rotunda do marquês de pombal no sentido dos carros que sobem. Foi tão interessante ver aquela bola a girar pela rua abaixo com os carros serenos a subir sem grandes manobras e lá ia ela rodando, rodando, ganhando velocidade, ocasionalmente desaparecendo entre as rodas de um aglomerado de carros, escapando a autocarros e fintando motas e lá descia a bolinha verde até ficar encalhada na berma do passeio interior da rotunda. Todos no autocarro acompanharam aquela epopeia com os olhos e a alma aos pulos, será que consegue chegar ao fim? será que vais ser esmagada? Será que ... Todos unidos naquele momento e as conversas de trabalho, a fofoca do dia-a-dia, os desabafos sobre colegas ou chefes, a crise, o sexo, tudo ficou em suspenso naqueles curtos minutos que pareceram tão longos.
Outra coisa em comum são as conversas e a forma de estar de cada um no autocarro, há quem leia, há quem jogue, mas acima de tudo há quem ... converse! Sim, seja ao telefone, seja com a pessoa do lado. Nem todos o fazem é certo e por vezes nem por muito tempo, mas existe sempre a oportunidade para mandar mensagens, fazer chamadas e saber como vão as coisas ou simplesmente falar com o(a) colega que vai connosco ou que entrou uma ou duas paragens à frente. Estas conversas variam tanto, desde jovens adolescentes a falar de sexo e parceiros sexuais; passando pelas senhoras que limpam os escritórios a planificar o dia ou a falar do fim de semana; até ao pessoal da secretária que vai a falar das aplicações ou erros de um qualquer programa. Enfim tudo unido na mesma forma de viver a viagem, por mais curta ou longa que seja.
Finalmente, deixo para o fim o mais importante e que me aconteceu este fim de semana e que é sinónimo de que podemos e devemos confiar, em nós e nos outros. Sai do autocarro numa paragem e comecei a andar, nisto reparei que perdi a minha bolsa com os documentos! Claro que tentei pensar onde ela estava e vasculhei toda a mochila e nada. Lá recriei passo a passo a viagem e cheguei à conclusão que ela tinha de estar no autocarro de onde sai. Pois lá liguei a um amigo com quem estive momentos antes de apanhar o autocarro e ele se prestou a apanhar-me e comigo perseguir o autocarro. Dito e feito, lá fomos, qual bola verde a rolar pela avenida abaixo, a seguir o autocarro sem o ver e a tentar recriar o seu percurso. Contas finais decidimos ir para a paragem final e eu a rezar para que se ele não estivesse lá, lá estivesse a chegar. Procurada e descoberta a paragem final, lá está o autocarro e eu dirijo-me a correr para a porta, o condutor abre e eu explico-lhe a situação. Momento de silêncio, passou-me nada pela cabeça, apenas consegui observar o condutor a sentar-se e a tirar a minha bolsa dos documentos. Quando ma entregou só agradeci mentalmente a todos os passageiros, e ele lá me disse que foi uma rapariga que ao sair lhe deixou a carteira e que eu tive sorte. Ora eu não acho que tenha sido sorte, pois antes, quando estava com esse meu amigo (a quem agradeço imenso a ajuda) paramos com outros amigos para comer uns croissants e como éramos muitos trouxemos para a rua um pacote muito grande cheio e o cartão para o pagar no fim. Ao que reparei que podíamos vir embora sem pagar pois não estava ninguém a controlar-nos e comentei isso com os meus amigos. Ao que alguém respondeu, porque as pessoas confiam em nós para o não fazer. Lá justificámos essa confiança e penso que ela me foi duplamente demonstrada, há quem confie em mim, há em quem eu confie :)
E assim deve ser, como a bola verde vamos rolando fintando obstáculos, ultrapassando outros e por vezes até encalhando ... mas sempre com esta garantia de que o mundo gira e com ele podemos confiar no outro e em nós como opção.
Sem mais demoras, vou falar de coisas fantásticas que me apercebi e vivi durante algumas viagens.
A saber, uma coisa tão simples como uma bola de ténis a descer desde o cruzamento da avenida Duarte Pacheco com a rua Castilho até à rotunda do marquês de pombal no sentido dos carros que sobem. Foi tão interessante ver aquela bola a girar pela rua abaixo com os carros serenos a subir sem grandes manobras e lá ia ela rodando, rodando, ganhando velocidade, ocasionalmente desaparecendo entre as rodas de um aglomerado de carros, escapando a autocarros e fintando motas e lá descia a bolinha verde até ficar encalhada na berma do passeio interior da rotunda. Todos no autocarro acompanharam aquela epopeia com os olhos e a alma aos pulos, será que consegue chegar ao fim? será que vais ser esmagada? Será que ... Todos unidos naquele momento e as conversas de trabalho, a fofoca do dia-a-dia, os desabafos sobre colegas ou chefes, a crise, o sexo, tudo ficou em suspenso naqueles curtos minutos que pareceram tão longos.
Outra coisa em comum são as conversas e a forma de estar de cada um no autocarro, há quem leia, há quem jogue, mas acima de tudo há quem ... converse! Sim, seja ao telefone, seja com a pessoa do lado. Nem todos o fazem é certo e por vezes nem por muito tempo, mas existe sempre a oportunidade para mandar mensagens, fazer chamadas e saber como vão as coisas ou simplesmente falar com o(a) colega que vai connosco ou que entrou uma ou duas paragens à frente. Estas conversas variam tanto, desde jovens adolescentes a falar de sexo e parceiros sexuais; passando pelas senhoras que limpam os escritórios a planificar o dia ou a falar do fim de semana; até ao pessoal da secretária que vai a falar das aplicações ou erros de um qualquer programa. Enfim tudo unido na mesma forma de viver a viagem, por mais curta ou longa que seja.
Finalmente, deixo para o fim o mais importante e que me aconteceu este fim de semana e que é sinónimo de que podemos e devemos confiar, em nós e nos outros. Sai do autocarro numa paragem e comecei a andar, nisto reparei que perdi a minha bolsa com os documentos! Claro que tentei pensar onde ela estava e vasculhei toda a mochila e nada. Lá recriei passo a passo a viagem e cheguei à conclusão que ela tinha de estar no autocarro de onde sai. Pois lá liguei a um amigo com quem estive momentos antes de apanhar o autocarro e ele se prestou a apanhar-me e comigo perseguir o autocarro. Dito e feito, lá fomos, qual bola verde a rolar pela avenida abaixo, a seguir o autocarro sem o ver e a tentar recriar o seu percurso. Contas finais decidimos ir para a paragem final e eu a rezar para que se ele não estivesse lá, lá estivesse a chegar. Procurada e descoberta a paragem final, lá está o autocarro e eu dirijo-me a correr para a porta, o condutor abre e eu explico-lhe a situação. Momento de silêncio, passou-me nada pela cabeça, apenas consegui observar o condutor a sentar-se e a tirar a minha bolsa dos documentos. Quando ma entregou só agradeci mentalmente a todos os passageiros, e ele lá me disse que foi uma rapariga que ao sair lhe deixou a carteira e que eu tive sorte. Ora eu não acho que tenha sido sorte, pois antes, quando estava com esse meu amigo (a quem agradeço imenso a ajuda) paramos com outros amigos para comer uns croissants e como éramos muitos trouxemos para a rua um pacote muito grande cheio e o cartão para o pagar no fim. Ao que reparei que podíamos vir embora sem pagar pois não estava ninguém a controlar-nos e comentei isso com os meus amigos. Ao que alguém respondeu, porque as pessoas confiam em nós para o não fazer. Lá justificámos essa confiança e penso que ela me foi duplamente demonstrada, há quem confie em mim, há em quem eu confie :)
E assim deve ser, como a bola verde vamos rolando fintando obstáculos, ultrapassando outros e por vezes até encalhando ... mas sempre com esta garantia de que o mundo gira e com ele podemos confiar no outro e em nós como opção.
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